Marketing Para Escritório de Advocacia com Vários Sócios: Como Crescer em Conjunto

    12 min de leituraPor Guilherme Zen Bertolazzi

    Existe um momento muito específico na trajetória de um escritório de advocacia em que o marketing vira um problema sério, e que quase ninguém fala sobre ele.

    Marketing para escritório de advocacia com 2 ou mais sócios: por que o que funciona para advogado autônomo não funciona para você

    Existe um momento muito específico na trajetória de um escritório de advocacia em que o marketing vira um problema sério, e que quase ninguém fala sobre ele.

    Não é quando o escritório está começando. Nessa fase, qualquer esforço gera resultado: um perfil no Instagram, um post no LinkedIn, uma indicação bem trabalhada. A tração inicial vem de energia e visibilidade do fundador.

    O problema aparece depois. Quando o escritório cresce, forma equipe, adiciona um ou dois sócios, e de repente aquelas mesmas estratégias deixam de funcionar. Os resultados caem. O marketing parece desorganizado. Cada sócio puxa para um lado. E a sensação que fica é de que o escritório está investindo mais, mas crescendo menos.

    Nos últimos anos, trabalhei com mais de 40 escritórios de advocacia de diferentes portes e áreas de atuação. Uma das maiores frustrações que ouço dos sócios, principalmente nos escritórios na faixa de dois a cinco sócios, é exatamente essa: "Fizemos o que outros advogados fazem em marketing e não funcionou."

    Não funcionou porque escritório com sócios é um animal diferente. E tratá-lo como se fosse um advogado autônomo em fase de crescimento é um erro estratégico que custa caro.


    Por que escritório com sócios tem desafios únicos de marketing

    O conflito entre brand pessoal e brand institucional

    O advogado autônomo constrói seu marketing inteiramente em torno da sua figura. Ele é a marca. Seu LinkedIn, seu Instagram, seu conteúdo, tudo converge para uma única voz, uma única autoridade.

    Quando o escritório tem dois, três ou quatro sócios, essa lógica quebra.

    Cada sócio tem sua própria reputação, sua rede de contatos, suas áreas de interesse, seu estilo de comunicação. E o escritório, como instituição, precisa de uma identidade que transcenda qualquer um deles individualmente.

    Esse é um equilíbrio difícil de encontrar. Se o escritório aposta tudo no brand pessoal de um sócio, os outros ficam invisíveis, o que gera atrito interno e fragiliza o negócio caso esse sócio saia. Se tenta apagar os brands pessoais em favor de uma marca institucional genérica, perde o que há de mais valioso: a autoridade humana de pessoas reais.

    Múltiplas áreas, múltiplos públicos

    Escritórios com sócios geralmente atendem mais de uma área do direito. Um sócio pode ser especialista em trabalhista, outro em contratual, outro em tributário. Para o cliente, isso é uma vantagem, pois ele encontra soluções integradas em um só lugar. Para o marketing, é um desafio de segmentação que muitos escritórios ignoram.

    Tentar comunicar três ou quatro especialidades ao mesmo tempo, para um único público, em um único canal, gera mensagens fragmentadas que não se conectam profundamente com ninguém. O cliente em potencial não se vê representado. O conteúdo parece genérico. E o escritório perde para concorrentes mais focados.

    O processo de decisão coletivo

    Em um escritório com sócios, as decisões de marketing raramente são tomadas por uma só pessoa. Isso tem um lado positivo, com mais perspectivas e mais alinhamento, e um lado que pode travar tudo.

    Já vi escritórios excelentes ficarem paralisados por meses em discussões sobre qual área priorizar, qual tom de voz usar, se o design do site está "sério o suficiente". Quando o processo de decisão não tem um responsável claro, o marketing vira pauta de reunião, e reunião sem decisão não gera conteúdo, não gera campanha, não gera resultado.


    Os 3 erros mais comuns que escritórios com sócios cometem ao fazer marketing

    Erro 1: Copiar a estratégia do advogado influencer

    Certa vez, uma sócia-gerente de um escritório tributário me procurou frustrada. Ela havia contratado uma agência que propôs uma estratégia de "construção de autoridade nas redes sociais" inspirada no perfil de um advogado trabalhista individual que tinha 80 mil seguidores no Instagram.

    O problema? O público-alvo do escritório dela eram empresas médias com questões tributárias complexas. Esses decisores não estão no Instagram consumindo conteúdo de advocacia. O formato que funcionou para aquele advogado, vídeos curtos, linguagem descontraída, casos do cotidiano, não tinha nenhuma aderência com o comprador B2B que ela precisava alcançar.

    A estratégia para advogado autônomo B2C e para escritório mid-market B2B são fundamentalmente diferentes em canal, formato, linguagem e ciclo de venda.

    Erro 2: Cada sócio faz o seu marketing, e ninguém cuida do escritório

    Esse é talvez o erro mais comum. Em vez de uma estratégia integrada, cada sócio cuida do seu próprio LinkedIn, cada um publica quando quer, cada um fala da sua área. O escritório como marca fica num plano secundário, ou simplesmente não existe no ambiente digital.

    O resultado é uma percepção fragmentada no mercado. Prospects que chegam por indicação ficam confusos sobre o que o escritório faz, quem é quem, qual a proposta de valor unificada. E oportunidades de cross-sell, levar o cliente de uma área para outra dentro do mesmo escritório, se perdem porque o posicionamento conjunto nunca foi construído.

    Erro 3: Investir em canal antes de ter mensagem

    Muitos escritórios com sócios chegam até mim depois de terem gastado dinheiro em tráfego pago, produção de vídeo ou gestão de redes sociais sem antes definir uma coisa básica: o que o escritório quer ser conhecido por?

    Sem uma mensagem clara, para quem serve, qual problema resolve, o que diferencia dos demais, qualquer canal vai performar mal. Tráfego pago vai trazer clique sem conversão. Conteúdo de redes vai gerar "curtidas de coleguinhas" mas não leads qualificados. O problema não é o canal. É a ausência de posicionamento.


    Como estruturar o marketing de um escritório com múltiplos sócios

    A estrutura que desenvolvi e implemento com os escritórios da Motus tem três camadas complementares:

    Camada 1: O posicionamento institucional do escritório

    Antes de qualquer sócio publicar qualquer conteúdo, o escritório precisa ter definido:

    • Para quem serve: qual o perfil de cliente ideal (segmento, porte, necessidade)?
    • Qual o problema central que resolve: não todas as áreas ao mesmo tempo, mas a proposta de valor unificada.
    • O que diferencia: não "atendimento personalizado" ou "excelência técnica", pois esses são atributos mínimos esperados. O diferencial real, verificável.
    Esse posicionamento vai orientar o site, os materiais, os anúncios e, crucialmente, o conteúdo de cada sócio nas redes sociais. Todos falam coisas diferentes, mas que reforçam a mesma identidade.

    Camada 2: O canal pessoal de cada sócio

    Cada sócio deve ter seu espaço próprio de construção de autoridade, principalmente no LinkedIn. Mas esse espaço não é independente do escritório: ele é uma extensão estratégica da marca institucional.

    O sócio de trabalhista fala sobre relações de trabalho, encargos, gestão de equipe, para um público de empresários e RHs. O sócio tributário fala sobre planejamento fiscal, riscos de autuação, impacto das mudanças regulatórias, para CFOs e empreendedores. Cada um constrói autoridade na sua especialidade, e isso alimenta a credibilidade geral do escritório.

    A divisão de papéis que funciona bem na prática:

    • Um sócio responsável pela estratégia de marketing (não precisa ser o que mais aparece, mas precisa ter poder de decisão)
    • Cada sócio com meta de publicações mensais no seu perfil pessoal (frequência realista: de 4 a 8 por mês)
    • Um canal oficial do escritório no LinkedIn e/ou Instagram, com conteúdo institucional e de prova social

    Camada 3: O canal do escritório como hub de confiança

    O canal do escritório tem uma função diferente dos canais pessoais dos sócios. Ele não precisa, e não deveria, competir em volume de conteúdo. Seu papel é consolidar autoridade, exibir resultados (dentro dos limites da OAB), apresentar os sócios como equipe e gerar confiança institucional.

    Aqui entram: depoimentos de clientes, publicações sobre certificações e premiações, conteúdo de imprensa, apresentação de novas contratações e marcos do escritório.


    O papel do LinkedIn para sócios como autoridade B2B

    Se existe um canal que, na minha experiência com escritórios mid-market, oferece o melhor retorno para construção de autoridade B2B no direito, esse canal é o LinkedIn.

    Por quê? Porque é onde estão os decisores que contratam serviços jurídicos: diretores, sócios de empresas, CFOs, CEOs. É um ambiente onde o conteúdo técnico tem valor. E é uma plataforma onde advogados ainda têm muito espaço para se diferenciar, diferente do Instagram, onde a concorrência por atenção é muito mais acirrada.

    O que funciona no LinkedIn para sócios de escritórios

    Conteúdo de ponto de vista: O sócio que publica "o que eu penso sobre a nova reforma tributária e como ela afeta empresas do setor X" gera muito mais engajamento qualificado do que aquele que publica apenas "dicas jurídicas" genéricas.

    Casos de raciocínio (sem identificar clientes): "Um cliente nos trouxe uma situação assim. Aqui está como pensamos o problema e qual caminho escolhemos." Isso demonstra competência analítica de forma concreta, sem prometer resultado: o que está em conformidade com as diretrizes da OAB.

    Conexão com o universo do cliente: O melhor conteúdo de LinkedIn para advogados não fala apenas de direito. Fala de negócios, de gestão de risco, de impactos práticos de decisões legais na operação de uma empresa. Isso é o que conecta com quem decide contratar.

    O que evitar

    • Publicar apenas informativos de jurisprudência sem nenhuma análise própria
    • Compartilhar apenas conteúdo de outros sem voz original
    • Misturar conteúdo pessoal (fotos de viagens, posts motivacionais) com conteúdo profissional de forma inconsistente
    • Publicar em rajadas e depois ficar meses sem aparecer

    Como o Método ADV se aplica a escritórios mid-market

    O Método ADV (Atrair, Direcionar, Vender) é a metodologia que desenvolvemos na Motus para estruturar o marketing jurídico de escritórios em crescimento. Para escritórios com dois ou mais sócios, cada etapa tem características específicas.

    Atrair: gerar visibilidade qualificada, não apenas alcance

    Para o escritório mid-market, atrair não significa viralizar. Significa aparecer, de forma consistente, nos canais e formatos onde o cliente ideal está pesquisando ou consumindo informação.

    Isso pode incluir: SEO para pesquisas específicas de nicho, conteúdo no LinkedIn dos sócios, presença estratégica em eventos do setor do cliente e, quando bem executado, tráfego pago com segmentação precisa.

    A armadilha aqui é priorizar métricas de vaidade (seguidores, curtidas) em detrimento de métricas de relevância (alcance qualificado, tempo de leitura, inbound de prospects certos).

    Direcionar: guiar o prospect pela jornada de decisão

    O ciclo de venda de serviço jurídico mid-market não é imediato. O prospect identifica um problema, pesquisa soluções, avalia alternativas, conversa com referências, tudo isso antes de pegar o telefone.

    A etapa de Direcionar é sobre estar presente e ser útil em cada momento dessa jornada. Isso significa: conteúdo que responde às perguntas reais que o prospect tem em cada fase, materiais de aprofundamento (guias, análises setoriais), e pontos de contato que constroem confiança progressivamente, como uma newsletter, um webinar, uma reunião de diagnóstico.

    Vender: converter com processo, não com sorte

    Escritórios com múltiplos sócios frequentemente têm um problema invisível: não sabem de onde vêm seus clientes. Não têm CRM. Não rastreiam em qual canal o prospect teve o primeiro contato. Não têm um processo de proposta padronizado.

    A etapa de Vender do Método ADV é sobre transformar a venda em um processo previsível: desde o primeiro contato qualificado até a proposta e o fechamento. Isso inclui definir quem faz a primeira reunião, como se conduz o diagnóstico, como se apresenta e se defende o valor, antes de chegar ao preço.

    Um escritório que domina as três etapas do Método ADV não depende de indicação para crescer. Ele tem um motor de crescimento que funciona de forma contínua e previsível.


    Diagnóstico: o primeiro passo para um marketing que funciona

    Se você chegou até aqui, é provável que seu escritório esteja em um momento de transição, crescendo, estruturando equipe, buscando um marketing que acompanhe esse crescimento de forma profissional.

    O que eu recomendo como próximo passo não é contratar uma agência, não é criar mais conteúdo, não é lançar um site novo. É fazer um diagnóstico honesto de onde o seu escritório está e o que precisa ser resolvido primeiro.

    Na Motus, oferecemos um diagnóstico gratuito de marketing jurídico para escritórios que se encaixam no nosso perfil de atendimento. Nele, avaliamos seu posicionamento atual, seus canais, seu processo comercial, e entregamos uma visão clara de prioridades.

    Se você quer entender o que falta para o marketing do seu escritório funcionar de verdade, solicite seu diagnóstico aqui.


    FAQ: Perguntas frequentes

    1. O escritório precisa ter um perfil separado dos sócios nas redes sociais?

    Sim, e com papéis distintos. O perfil do escritório tem função institucional: mostrar o time, a estrutura, as conquistas, os marcos. O perfil de cada sócio tem função de autoridade pessoal: construir credibilidade técnica e humana na área de especialidade de cada um. Os dois se complementam e se fortalecem mutuamente, mas não devem ser o mesmo canal.

    2. Qual sócio deve "aparecer mais" no marketing do escritório?

    Não existe uma regra única. O que importa é que a divisão de papéis seja intencional e acordada entre os sócios. Escritórios que funcionam melhor têm um sócio com responsabilidade clara sobre a estratégia de marketing (mesmo que não seja o mais visível nas redes) e todos os demais com alguma presença digital consistente, cada um no seu nível e canal adequado.

    3. É possível fazer marketing para múltiplas áreas do direito ao mesmo tempo?

    É possível, mas exige segmentação cuidadosa. A recomendação é não tentar comunicar todas as áreas para todos os públicos no mesmo canal. Cada área deve ter seu próprio nicho de conteúdo e, idealmente, um sócio como porta-voz especializado. O escritório como um todo pode aparecer como hub de soluções integradas, mas cada especialidade precisa falar diretamente com seu público-alvo específico.

    4. Quanto tempo leva para o marketing de um escritório com sócios começar a gerar resultado?

    Depende do ponto de partida e do que chamamos de "resultado". Visibilidade e autoridade começa a crescer em 60 a 90 dias de estratégia consistente. Leads qualificados entrando pelo marketing, e não apenas por indicação, geralmente aparecem entre o terceiro e o sexto mês. Previsibilidade real de crescimento, onde o escritório tem um processo que funciona independentemente de sorte ou indicações, é um horizonte de 6 a 12 meses. Marketing jurídico de qualidade não é sprint: é construção de ativo.


    Sobre o autor

    Guilherme Zen Bertolazzi é fundador da Motus Marketing, agência especializada em marketing jurídico para escritórios de advocacia com 2 ou mais sócios. Formado pela USP e sediado no Supera Parque (Parque Tecnológico da USP em Ribeirão Preto), já posicionou mais de 40 escritórios em todo o Brasil dentro das normas da OAB (Provimento 205/2021).

    Quero meu diagnóstico gratuito →

    Esse alinhamento entre sócios fica mais simples quando o orçamento é maior. Para quem começa com pouco recurso, veja marketing jurídico em cidades pequenas: como crescer no interior e marketing jurídico sem budget.

    Perguntas frequentes

    O escritório precisa ter um perfil separado dos sócios nas redes sociais?+
    Sim, e com papéis distintos. O perfil do escritório tem função institucional: mostrar o time, a estrutura, as conquistas, os marcos. O perfil de cada sócio tem função de autoridade pessoal: construir credibilidade técnica e humana na área de especialidade de cada um. Os dois se complementam e se fortalecem mutuamente, mas não devem ser o mesmo canal.
    Qual sócio deve aparecer mais no marketing do escritório?+
    Não existe uma regra única. O que importa é que a divisão de papéis seja intencional e acordada entre os sócios. Escritórios que funcionam melhor têm um sócio com responsabilidade clara sobre a estratégia de marketing e todos os demais com alguma presença digital consistente, cada um no seu nível e canal adequado.
    É possível fazer marketing para múltiplas áreas do direito ao mesmo tempo?+
    É possível, mas exige segmentação cuidadosa. A recomendação é não tentar comunicar todas as áreas para todos os públicos no mesmo canal. Cada área deve ter seu próprio nicho de conteúdo e, idealmente, um sócio como porta-voz especializado.
    Quanto tempo leva para o marketing de um escritório com sócios começar a gerar resultado?+
    Visibilidade e autoridade começa a crescer em 60 a 90 dias de estratégia consistente. Leads qualificados entrando pelo marketing geralmente aparecem entre o terceiro e o sexto mês. Previsibilidade real de crescimento é um horizonte de 6 a 12 meses.

    Escrito por

    G

    Guilherme Zen Bertolazzi

    Fundador — Motus Marketing

    Fundador da Motus Marketing, empresa especializada em marketing jurídico criada na USP de Ribeirão Preto. Atuação em mais de 30 escritórios de advocacia em todo o Brasil.

    Pronto para transformar seu marketing jurídico?

    Agende um diagnóstico gratuito e descubra como o Método ADV pode gerar mais clientes para o seu escritório.

    Falar com especialista agora